quinta-feira, 12 de março de 2009

 

"O Relojoeiro" - Watchmen, capítulo IV

Estou relendo o capítulo 4 de Watchmen, aquele que conta a origem do Dr. Manhattan, um dos mais legais da série, e algo me chamou a atenção.
Na HQ, este trecho é narrado de forma não linear pelo Dr. Manhattan, num vai-e-vem temporal fantástico, como só Alan Moore e outros poucos autores conseguiriam fazer, e sem nos confundir.

No filme, esta passagem é contada quase da mesma forma (e com uma trilha sonora excelente, que combina muito bem com o clima: The Philip Glass Ensemble - Pruit Igoe & Prophecies, a mesma do início deste trailer), quase com os mesmos textos e este vai-e-vem de fatos, porém há uma diferença de percepção que, pelo menos a meu ver, ficou clara o porquê.

No cinema, as informações são jogadas pra nós da forma que vão aparecendo, e temos de absorvê-las instantaneamente para seguir à próxima informação. O ritmo dado é o do filme, não o do nosso pensamento. Confesso que, mesmo sabendo da maioria dos acontecimentos e da forma que seriam expostos, fiquei levemente confuso (pelo menos nessa primeira vez que assisti, pois em uma próxima - ceeerto que vou ver de novo! - a percepção possa mudar).

Isso, numa HQ, é completamente diferente. Relendo a história ficou bem claro pra mim. A forma de percepção é outra, o leitor pode controlar o tempo de leitura, pode fazer o seu próprio ritmo, pode absorver da forma que lhe for mais conveniente todas as informações oferecidas.

É por isso que Watchmen é uma história EM QUADRINHOS fabulosa. E o filme apenas tentou chegar o mais perto possível disso. A intenção foi das melhores, e palmas para Zack Snyder e os roteiristas, mas acredito que eles mesmos sabem que a obra de Alan Moore foi feita para os quadrinhos e é lá que deve permanecer como obra completa (como o Daniel HDR bem observou na sua resenha). O filme é ótimo, mas passados 3 dias vejo-o agora como apenas uma homenagem à HQ, sem jamais se aproximar da grandiosidade da obra original.

Abaixo, a página inicial desta edição, e o último quadrinho, que é pura poesia.
"Só o que vemos das estrelas são suas velhas fotografias".

Clique para ver a página ampliada.

Marcadores: , ,


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Assinar Postagens [Atom]